14
Dez
09

Tudo uma questão de estofo ou falta dele!

De cabeça, que me lembre, foi o sexto jogo no qual o Benfica entra a perder e não consegue dar a volta ao jogo. No máximo consegue um empate e graças a Deus.

Do mal, o menos, e no final o empate obtido pelo único lance de classe no jogo, pelo mal amado Nuno Gomes, soube quase como uma vitória.

Anos a fio a viver num miserabilismo crónico levou a que os adeptos encarnados perdessem todo o sentido do real. Quem lê a criticas de alguns das minhas crónicas percebe perfeitamente isso. Quando alertei para o facto do Benfica estar longe de ser a máquina imperial que certa propaganda queria fazer passar, após jogo em Braga, não faltou quem me atribuísse ao facto um momento de desarranjo intelectual.

É curioso que ninguém parece perceber que mais jogo menos jogo, o título do pior jogo da época se sucede. Em Olhão foi o último…depois do último. Pergunto: até quando?

Quando afirmei por de forma eufemista que no fundo a equipa não tem estofo, prova visível no facto de nunca fazer porra alguma de jeito, após se encontrar em situação de desvantagem logo vieram com a conversa sobre la Palisse, como se de filosofia barata se tratasse.

Eu acho que é mais la palhaçada, onde alguns fazem o papel de bobos da corte. E aqui Di Maria, é o rei. Que o rapaz tem ar de parvo sempre reparei, mas que fosse mesmo nunca pensei. Se o Benfica fosse dirigido por gente competente, Di Maria perderia o salário de uma semana e treinaria sozinho para servir de exemplo, um pouco como fez o saudoso Bobby Robson com Fernando Couto quando este fez gesto similar.

Aliás, se Rui Costa se lembrar da sua carreira, e da sua relação com Sven Goran Ericksson, fará uma interrupção nos seus discursos redondos e terá uma conversa séria, baseada na sua experiência e dará uma boa lição de vida ao argentino, pois este tem o cérebro há muito toldado, não por malte, mas por 40 milhões de euros…de razões.

Este jogo foi uma experiência traumatizante para muito boa gente que ao ler o meu post ficará com a orelhas a arder. Na falta de Aimar, que alguns dizem não fazer muita falta, poupado e bem por vias de dúvidas na sua capacidade física, JJ pensou ter descoberto a pólvora lançando Di Maria a 10. Pôr um extremo cujo maior valor é a sua capacidade explosiva, que normalmente baixa a cabeça como os touros e avança como um louco para cima dos defesas contrários, e querer que este tipo de jogador pense o jogo é de mestre.

Ah, mas aqui tenho de ter cuidado. Convém medir as palavras, porque passo do profano para o sagrado, e nesta é época é blasfémia. Não falta quem veja no JJ, o redentor. Um dia ele há-de explicar qual foi o propósito de lançar jogadores no limite dos cartões, para ver pelo menos um deles, David Luiz, a fazer de corpo presente em campo, e mesmo assim esteve muito próximo de ser amarelado também.

As substituições, mormente aquela de tirar o Coentrão quando tudo já estava estragado, ficando sem ala na esquerda e colocando lá o pobre e esforçado Weldon, foi genial.

Não é a 1º vez, longe disso que JJ parece bloquear no banco. A equipa como é a sua imagem para o bem e para o mal ressente-se. É que o mesmo Benfica que ganha por 6, 7 ou 8 é o mesmo que faz uma triste figura em inúmeros jogos dessa época, porventura encapotados pelos resultados. E o treinador é o mesmo.

Aliás pergunto isto: para que serve ganhar por 6,7 o 8 se outros ganhando por metade ou nem isso têm praticamente os mesmos pontos do Benfica? Conversa engana tolos, diria a minha avó.

Temos ganho o respeito e receio dos outros? Isso foi no início. O jogo de sábado mostrou que tudo regressou à “normalidade”. Pensei que alguém ligado ao Benfica ainda falasse de algo mas afinal, parece que tudo anda a dormir. Falo da arbitragem e não só. Muito bem conseguida. Dando a sensação de isenção foi das mais inteligentemente habilidosas que já vi. Apitando a tudo, levou que todos ficassem a com a falsa sensação de jogo duro, aceitando com naturalidade a amostragem de cartões. Prejudicou alguém em especial? Não! Beneficiou 3º. Mais uma vez somos comidos como patos. Às tantas os jogadores tinham medo de disputar com maior virilidade as bolas porque sabiam que o árbitro apitaria sempre, daí mito do laxismo mostrado em campo. E aquelas rábulas, com a tentativa já vista de tentarem expulsar o Cardozo novamente, ou mesmo o David Luiz mostra que o respeito ao Benfica é conversa de xaxa.

Ah, afinal até têm desculpa, dirão alguns. Bem, se a vantagem fosse nossa este tipo de arbitragem até nos favorecia. É a tal estória…marcas 1º e é tudo cor-de-rosa.

Voltando a JJ, sempre me afirmei agnóstico em relação a ele. Espero sinceramente não virar ateu de vez. Como leio a Bíblia desconfio: “Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos...”

Eu espero que, tal qual S. Paulo tornar-me crente. Domingo espero ver a luz.

Bola7 falou…

11
Dez
09

Quanto mais me bates….!

A “belíssima” capa do jornal O Jogo faz-me lembrar a velha expressão…”quanto mais me bates mais gosto de ti”. Já não é a primeira vez que os jogadores do fcp vêm com essa lengalenga. Eu pergunto – mas afinal alguém lhes perguntou alguma coisa? Os jornalistas, dizem-me alguns. Mas caramba, se eles não têm necessidade de ver os jogos do Benfica, porque na sua opinião não têm precisam, então qual a necessidade de o afirmar recorrentemente em público?

Há quem chame a isso dor de cotovelo. Pode ser que no dia 20 eles finalmente vejam a sério o Benfica, e depois percam a vontade de vez de ver o clube…que nunca vêm.

No mesmo jornal vê-se Platini acompanhado do inefável João Jardim. Parece que o francês descobriu que afinal o fcp não é batoteiro. Pois, parece que a batotice tem prazo. Terminado um certo tempo tudo é limpo e a batota acumulada desaparece. Faz-me lembrar os pedófilos cuja lei em certos países, fazem que o seu cadastro seja limpo após certo tempo. Sim senhor, muito me contas ó francês…não…agora ele é suíço.

Fim-de-semana e o Benfica vai a Olhão. Tremedeira geral em certas hostes encarnadas. Principalmente nos crentes absolutistas de JJ. Estranho mas enfim. É que ao olhar para a classificação geral vejo o Olhanense numa modesta posição. Dizem que é o fcp B. Grande coisa. Eu até nem acho o fcp grande espingarda vou ter de me preocupar com o fcp B? Eu acho que não, mas os jogadores do Benfica é que sabem. No fundo é tudo uma questão de estofo e o resto é letra.

E não escrevo mais pois há quem tenha muita dificuldade para ler além dos títulos.

Bom fim-de-semana glorioso!

Bola7 falou…

10
Dez
09

Idolos – Ajoelhem-se perante…Coluna!

Recordando os gloriosos anos 60 do Benfica na Europa, é impossível não destacar aquele que foi o líder mais imponente que o clube português já conheceu. Não havia adversário que não o respeitasse ou colega que se sentasse ou levantasse da mesa sem um sintomático – “Dá licença, senhor Coluna.”

Dentro do campo, não havia papelinhos. Devidamente autorizado pelos treinadores, roubava-lhes a braçadeira para os noventa minutos. A de treinador, claro está, a de capitão, só a obteve

depois da retirada de José Águas. Figura serena e paternal, Coluna confere a humildade e compostura que caracterizam o período áureo das Águias durante toda a década de 60. O Monstro Sagrado foi um dos maiores de sempre do futebol português.

O início em Lisboa, com Otto Glória

Em Agosto de 1954, juntou-se ao Benfica, deixando o Grupo Desportivo de Lourenço Marques (GDLM), clube-filial das Águias que impediu que assinasse pelo Sporting. Na verdade, foram os leões os primeiros a demonstrar interesse na contratação de Coluna, mas a vontade do pai era que a de que Mário vestisse a camisola vermelha. O Benfica ficou com o negócio facilitado.

Coluna não foi a única cara nova do Benfica em 1954/55, pois ao moçambicano também se juntou Otto Glória, o primeiro brasileiro a treinar em Portugal. Preconizando métodos inovadores no trabalho táctico (antevia-se uma transição gradual do WM para o 4-2-4), Otto Glória foi o principal responsável pelo fim da hegemonia do Sporting no futebol português. Os Leões eram o clube dominador entre 1946 e 1954.

Com Ângelo a garantir estabilidade na defesa, juntando os golos do grande artilheiro José Águas e o sangue novo de Mário Coluna – na posição de interior da linha de cinco avançados – o Benfica começou a construir as fundações do fabuloso conjunto que animou a Europa. Logo nessa primeira época, o jovem Coluna foi campeão nacional, apontando 14 dos 61 golos do Benfica.

Com meia volta se vence o Barcelona

O cenário era Wankdorf, em Berna, palco da final da Taça dos Campeões Europeus (TCE) entre Benfica e o fortíssimo Barcelona de Suarez, Kocsis, Kubala e Csibor. Perante milhares de

emigrantes lusos presentes no estádio suíço, Coluna apontou um dos melhores golos de sempre em finais europeias. À entrada da grande área e sem deixar cair a bola no chão, Coluna desferiu um violento remate à meia volta, tendo a bola entrado bem chegada ao poste direito de Ramallets. Depois de aguentar estoicamente o 3-2, o Benfica conquistava a sua primeira edição da competição máxima de clubes europeus, destronando o penta-campeão Real Madrid dos já veteranos Di Stéfano e Puskas.

Aliás, os merengues foram as vítimas seguintes da insaciável formação orientada pelo húngaro Bélla Guttmann. Coluna marcou novamente na final agora disputada em Amesterdão e pôde assistir a uma exibição memorável de um rapazinho, igualmente oriundo de Lourenço Marques, que simplesmente trucidou o conceituadíssimo grémio de Chamartín. Ele mesmo, Eusébio.

O ingénuo Eusébio que no fim do jogo (vitória por 5-3) parecia mais preocupado em não perder a camisola do seu ídolo Di Stéfano ? recordação guardada dentro dos calções – do que celebrar a conquista do seu primeiro grande troféu europeu. O resto já sabem, o capitão José Águas levantou a TCE pelo segundo ano consecutivo.

“Não perdoo Trapattoni”

O italiano Giovanni Trapattoni é sinónimo de glória para os lados do Estádio da Luz. Sim, porque foi a Velha Raposa que orientou o Benfica no ano em que os encarnados foram campeões nacionais pela última vez (2004/5). No entanto, segundo Coluna, foi o próprio Trapattoni, duro marcador, que lesionou o médio português na final de Wembley entre Benfica e Milan (1962/3).

“Nesse jogo, o Trapattoni rachou-me o peito do pé. Infelizmente, pelos regulamentos, não se podia fazer substituições e ficámos logo diminuídos [também o angolano Santana se lesionou

no decorrer desse jogo, fragilizando ainda mais a equipa do Benfica, na altura orientada pelo chileno Fernando Riera]. Uma pena, porque tínhamos equipa e aquela era uma final para ganhar.”

“Aguentei em campo, mas só lá estive a fazer número”, contou Mário Coluna no livro “Pela

mística dentro”, do jornalista José Marinho.

Mas o pesadelo Trap não ficou por aqui. “Quando o Trapattoni foi treinador do Benfica, estive ao pé dele e não lhe queria falar. Depois, um jornal português insistiu na história de que não tinha sido ele a lesionar-me, mas eu não me deixei levar pelo conto de fada. Foi ele, lembro-me

bem e ainda hoje não lhe consigo perdoar. A televisão italiana, depois do jogo, chegou a convidar-nos para uma entrevista em directo em Milão. Fui ao local combinado e assim que entrei no estúdio percebi o logro da situação. O Trapattoni não apareceu, não teve coragem de me enfrentar. Como benfiquista, estou-lhe agradecido pela conquista do campeonato (2004/5), mas como jogador não consigo esquecer o que ele me fez”, confidenciou.

Esta foi a primeira das três finais da TCE que Coluna perdeu. As outras duas aconteceram em 1965 (Inter) e 1968 (ManUtd). Em dezasseis anos de Benfica, Coluna disputou cinco finais da TCE.

Monstro Sagrado, o protector

O que torna este Monstro Sagrado assim tão carismático? Os dez campeonatos nacionais conquistados? Os 126 golos em 525 jogos oficiais com a camisola do Benfica? O facto de ser o

jogador com mais partidas realizadas com a braçadeira de capitão do Benfica (desde 1963 a 1970)? Tudo isso, claro. Mas também há o resto.

Mário Coluna é daqueles jogadores que já não se fabrica. É irrepetível. Firme como um contrabaixo. De um olhar sereno, sábio e que ao mesmo ostentava uma tamanha aura guerreira que nenhum adversário conseguia dormir tranquilamente na noite anterior a uma batalha com o Monstro Sagrado.

Coluna era um protector, que não admitia que ninguém crescesse para um colega. Eles (colegas) sentiam-se protegidos. “Perguntem ao Simões, coitado. Ele era muito castigado e nessas alturas tinha de impor a minha presença. A frase que mais intimidava os adversários

era – Se tocas mais no miúdo, sais daqui com uma perna a lamber a outra. Depois, agarrava-os pelas articulações dos ombros e ia apertando, cada vez com mais força. Eles gritavam e eu dizia: Estás com vontade de rir?.” É possível que aquele que cometesse uma falta sobre Simões ou Eusébio desconhecesse o facto de que Mário Coluna praticava pugilismo na adolescência em Lourenço Marques.

O Mundial de 66

Principalmente devido à chegada de Eusébio (Dezembro de 1960), Coluna foi descendo com mais frequência a sua posição-base de avançado-interior para a de médio-centro, conseguindo, assim, garantir mais equilíbrio e influência na mecânica colectiva. Jogador de enorme pulmão, espírito de entrega e liderança, Coluna era também um dos mais rematadores.

Tanto no Benfica, como na Selecção Portuguesa.

Uma dos principais marcos na carreira do sagaz Coluna foi a participação no Mundial de 1966.  Coluna estreou-se pela Selecção em Janeiro de 1957. Os Magriços capitaneados pelo Monstro Sagrado e treinados por Otto Glória com a supervisão do seleccionador Manuel de Luz Afonso, realizaram uma campanha inexcedível em Inglaterra, sendo Eusébio a estrelaprincipal – melhor marcador do torneio.

O camisa 10 Coluna era um dos dois médios-centro do 4-2-4, ao lado de Jaime Graça, o setubalense que viria a assinar pelo Benfica depois do Mundial e que ganhou o lugar nos Magriços, devido à lesão do sportinguista Fernando Mendes. A frente de ataque era totalmente benfiquista: o Rato Mickey Simões na esquerda, Eusébio e Torres no meio e José Augusto na direita.

Se trocarem Torres por José Águas até ficam com o desenho atacante do Benfica que se sagrou bi-campeão em Amesterdão quatro anos antes. Portugal foi terceiro classificado no Inglaterra 66 com a espinha-dorsal do Benfica.

Lyon e o fim de carreira

Já sem condições para jogar ao seu melhor nível, decidiu pôr um ponto final na longuíssima etapa. Benfica. Fiel ao clube que o projectou, rejeitou propostas do Porto e do Belenenses. Coluna viajou para Lyon e, no clube francês, os 35 anos do Monstro Sagrado contrastavam com os 18 de futuras referências do futebol francês: Bernard Lacombe e Raymond Domenech (actual seleccionador francês).

O OL ficou em 7.º lugar no campeonato e foi finalista vencido na taça. Na temporada seguinte, Coluna juntou-se aos alentejanos do Estrela de Portalegre, assumindo as funções de jogador treinador.

Regressou a Moçambique após o 25 de Abril de 1974 e é actualmente presidente da federação moçambicana de futebol.

PS: Talvez alguns percebam finalmente uma das razões pelas quais nunca gostei de Trapattoni, apesar de tudo. Eu sou como o grande Coluna, não tenho memória curta.

Bola7 falou…

09
Dez
09

Bom prenuncio, meu caro Manuel da Costa!

Basquetebol: Supertaça – Benfica vence Ovarense e ergue troféu em Albufeira
O Benfica conquistou ontem a Supertaça de basquetebol, ao derrotar a Ovarense por 69-61, em jogo disputado no Pavilhão de Olhos de Água, em Albufeira.

A formação campeã nacional, que ao intervalo perdia por 28-26, colocou termo a um jejum que já vinha desde 1999 e somou o seu oitavo triunfo na competição, destronando precisamente a Ovarense, que tinha vencido as últimas três edições.

Bola7 falou
09
Dez
09

Bitaites do Bola!

Dei por mim ontem à noite a ver o jogo dos andrades. Confesso que as vitórias deles me aborrecem um bom bocado mas desta vez ao menos consolei-me um pouco com ar aziago dos nossos hermanos que julgam que têm o melhor futebol do mundo e arredores, e viram-se enxovalhados em toda a linha pelos pategos tugas.

É certo que Real Madrid e Barcelona, e quiçá o Sevilla estão a níveis inalcançáveis para os nossos clubes bandeiras, mas os restantes longe disso. E então o exemplo do paupérrimo Atlético de Madrid, que é apenas um dos representantes de Espanha na Champions, é bem paradigmático. E ver o pateta do quiquinho fazer tão triste figura ainda mais gozo me deu. Por acaso lembrei-me ontem fortemente dos adeptos da estabilidade… J ….adiante.

O moçambicano mexer está confuso com a indefinição quanto à sua vinda para o SCP. Se ele soubesse para onde se vai meter, não se…mexia…da bela terra de Moçambique. De qualquer forma é sempre bom saber que finalmente se começa a olhar novamente para África. Muitos riem-se da possibilidade de um moçambicano jogar em Portugal, como se Shéu, Eusébio, Coluna, por exemplo, fossem argentinos ou paraguaios.

Por falar em contratações dizem que o Benfica está interessado no trinco do Flamengo, Aílton. De imediato começaram as especulações. Dizem que o fcp que tem fetiche por trincos está interessado no rapaz também. Sei que pinto da costa depois de levar à falência uma fábrica de frigoríficos teve sempre o sonho de possuir uma loja de ferragens, mas o homem exagera. Não se cansa de comprar trincos de fancaria, por isso tudo que seja para fechar portas é apetecível.

Por falar em apetecível, LFV parece que em vésperas de 2 jogos muito importantes resolveu abrir a boca para os seus habituais bitaites, que segundo os mais impressionáveis dá um azar do caraças. Pelos vistos a conquista do título nacional é prioridade absoluta. Que grande novidade. Novidade era ele vir a terreiro dizer que as finanças do clube finalmente estavam no bom caminho, isso sim. Mas conversa para levantar poeira já lhe conheço à muito. E então em vésperas de Assembleia-geral, ui…

Voltando ao tal Aílton, acredito que em breve a noticia da compra de alguns jogadores será o pai-nosso de cada dia. Juram-me que 3 jogadores já estão contratados…um guarda-redes, um defesa esquerdo e um avançado. Mas curiosamente tirando a estória do avançado Jara, os outros são o central Faria, que malandros dizem-me ser do Mendes e o tal trinco Aílton, será mais um para o tal fundo de jogadores.

Hoje a minha crónica anda para a frente e para trás. Regresso ao fcp e o efeito borboleta que ele causa nos adeptos do Benfica. Já notei um certo temor nas ostes encarnadas. É que o raio dos andrades começaram a jogar melhor, dizem, e como tal estamos lixados. Ai a fé desta minha gente. Gritam aos ventos que JJ é o eleito. Que o seu futebol é estratosférico. Que a equipa está ao nível do tempo de Ericksson. Sai o sorteio da liga e é choro compulsivo, porque as bolas estavam geladas e juntaram-nos aos gigantes Guimarães, Rio Ave e outro tal que nem me lembro. Agora vamos a Olhão e ao pessoal até lhe falta o fôlego porque os pobres algarvios têm a equipa recheada de empestados…perdão…emprestados do fcp. Muita gente vai passar a soro na véspera do Benfica-fcp.

Ia acabar a crónica mas ao ler os emprestados, lembrei-me dos jogadores emprestados pelo Benfica. Segundo alguns especialistas o Benfica está recheado de jovens de valor que são vítimas de uma cabala monumental dos seleccionadores das equipas nacionais e dos técnicos das equipas onde eles são emprestados. Ao ver a exibição de alguns desses jogadores apenas faço um conselho a muitos…aproveitem os descontos da Multiopticas, passe a publicidade.

Bola7 falou…

07
Dez
09

Feliz natal Mr. Cardozo!

Reza a lenda que o militar francês Jacques de la Palice era extremamente popular entre os seus soldados. Várias vezes preso era mestra na evasão regressando sempre ao campo de batalha. Após a sua morte os seus soldados cantavam “Se ele não estivesse morto, faria inveja”, que foi deturpada para “Se ele não estivesse morto faria/estaria vivo”

Quando em post anterior disse que o Benfica versão 2009/2010 dependia e muito da 1ª bola a entrara na baliza, seja qual fosse logo foi acusado de ser um seguidor do famoso cidadão francês. No fundo fui vítima de uma deturpação semelhante do sentido das minhas palavras.

Ontem mais uma vez a razão deu-me voz. Benfica a marcar cedo meio caminho andado para a vitória. E não é sempre assim? Não, não é. O Braga é um bom exemplo de uma equipa que não tem essa faculdade, e esta semana mais uma vez se viu, facto que não o impede de ser líder na liga.

Quando o Benfica fizer uma série de jogos nos quais ou sofre um golo antes de marcar, ou mesmo em igualdade a qualidade do seu futebol não se ressente, mudo a agulha ao meu discurso.

Ontem o Benfica teve uma vitória natural em condições um pouco adversas contra um adversário bem estruturado, que mesmo a perder cedo só de desuniu a partir do 3-0.

Curioso que no final da 1ª parte as estatísticas do jogo dava vantagem em todos os aspectos do jogo para a Académica, com a excepção do golo.

Mesmo na 2ª parte a vantagem encarnada não foi assim tão grande, e apesar de tudo o Benfica venceu bem, e sem contestação, provando que para ganhar não há a necessidade sôfrega de esmagar o adversário, como se a época dependesse disso.

Julgo que veremos no futuro próximo veremos um Benfica mais pragmático, procurando gerir mais que arrasar.

Com a melhor equipa possível o golo cedo elevou os níveis de confiança da equipa levando que alguns jogadores regressassem a um patamar de qualidade que parecia estar a esfumar-se. Aquele golo de Saviola é um hino à qualidade para Maradona ver.

Numa breve análise individual não posso deixar de sublinhar o belo trabalho dos avançados, ontem bem inspirados. Se Saviola deslumbrou com passes, desmarcações e o golo, Cardozo foi verdadeiramente um matador. No sítio certo sem grande estardalhaço conseguiu o sempre desejado “golpe de chapéu”, conhecido no mundo da bola por Hattrick, que é muito mais que marcar 3 golos num jogo. Mas uma coisa é certa…que bela prenda te deram este natal, Mr. Cardozo…o teu parceiro Saviola.

Recuando no terreno os interiores/alas Ramires e Di Maria estiveram bem, apesar da sua leveza física, mas reconheço que Ramires é um jogador que me agrada imenso, pois mais que a qualidade técnica, a sua força de vontade, carácter e resistência fazem-me lembrar grandes nomes do passado.

No centro o problema maior. Sem Javi temia pelo pior. Com o estado do terreno minuto a minuto a ficar em estado deplorável, Amorim parecia não perceber que a sua missão era mais e limpeza que construção de jogo. Felizmente teve em Aimar a muleta necessária para perceber melhor como jogar naquela posição. O internacional argentino pode não ter a mobilidade de outros tempos, mas apurou a inteligência. Rápido sobre a bola, recuperando muitas vezes no corpo a corpo, procuro jogar simples tirando a bola daquela zona para outras mais confiáveis.

Confesso que depois da discussão da semana passada sobre a sua utilidade em campo, fiquei contente porque o argentino teve a delicadeza de me auxiliar com argumentos práticos, a minha razão.

Deixo para o final a defesa. Se Quim esteve qb, apesar do maldito vicio de se encostar ao galinheiro demorando a sair dele, a defesa com Luisão é outra conversa. Quem te viu quem te vê. Foi bom verificar que Maxi parece regressar à boa forma. Uma conversinha sobre os outros 2 parceiros. Sobre patinho feio Peixoto. Poucos gostam do rapaz. É mais que evidente que ele não tem características físicas para jogar a lateral. Só com Adriansen lá jogou. Mas uma coisa é certa. Jogou em Alvalade e enfrentou um bom jogador, rápido e raçudo, Vukcevic e nãos e deu mal. Ontem no seu flanco caiu um dos jogadores mais rápidos do campeonato, o Sougou e só dei por ele quando foi substituído. É o jogador certo para aquela posição? Duvido. Mas uma coisa é certa, também merece ser elogiado quando cumpre, e ontem cumpriu bem.

O outro que merece uma reflexão particular é David Luís. As suas paragens cerebrais começam a ficar épicas. Aquele penalty absolutamente escusado bem como o ridículo amarelo merecem forte repreensão do técnico. Aposto que dia 20 assiste na bancada ao jogo no estádio da Luz.

Bola7 falou…


04
Dez
09

Uma lição da história!

21 De Maio de 1988. Toni  após um mês no qual guardou numa redoma de vidro a equipa principal, lança os seus melhores jogadores para ganharem ritmo na véspera da final da taça dos campeões de 1988, que se realizaria dias depois no Estádio Neckarstadion, em Estugarda.

Num lance viril mas aparentemente banal, o jogador Adão do Vitória de Guimarães lesiona gravemente o cérebro da equipa encarnada, o seu capitão Diamantino Miranda.

Dias depois o famoso jogador assiste impotente de muletas, sentado numa cadeira na pista de tartan do estádio à ineficácia da equipa encarnada, absolutamente órfã do talento de seu comandante.

Essa época começou mal logo que foi escolhido o técnico para a equipa. Numa tentativa de recriar um novo Ericksson, a direcção de João Santos contrata sem êxito um desconhecido dinamarquês de nome Ebbe Skvodhal, tio dos famosos Laudrups.

Com a saída natural do dinamarquês Toni toma conta da equipa. Percebendo que o campeonato nacional está perdido, aposta tudo na taça dos campeões fazendo um trajecto quase imaculado.

Com um plantel muito reduzido e com algumas deficiências, Toni tem o talento e capacidade de organizar um 11 sólido, num 4-4-2 aberto. Com uma defesa de betão, sem o veterano Bento, a contas com uma lesão gravíssima ainda fruto do malfadado Saltillo, aposta em Silvino na baliza. Nas alas 2 defesas robustos e imbatíveis no 1×1, Veloso e Álvaro. No centro da defesa talento e raça. Pela Europa corre a noticia que na Luz se encontra a melhor dupla de centrais do continente, Carlos Mozer e Dito. Muitas mais vozes se juntam também gritando o talento mortal da dupla de ponta de lanças encarnadas, os super eficazes Rui Águas e Mats Magnusson. Mas é no meio campo que mora a surpresa e onde o motor encarnado funciona em pleno. 2 alas estranhíssimos funcionam num vai e vem absolutamente louco…Chiquinho e Pacheco. O 1º é um ponta de lança reconvertido a extremo direito. O 2º é uma surpresa. Vindo de Portimão como prenda pela compra do então muito valioso Augusto, surge nessa época em grande, ao mesmo tempo que o tal Augusto desaparece para sempre. Pacheco é um pouco o percursor do actual extremo esquerdo Di Maria. Embora um pouco mais limitado tecnicamente tinha uma garra e um pique absolutamente incrível. Fazia o vai e vem pelo corredor esquerdo com a naturalidade com que respirava, sempre muito eléctrico. Do outro lado chiquinho era menos exuberante mas extremamente eficaz.

Mas o coração da máquina estava no centro. A trinco um dos melhores recuperadores de bola da história do futebol português, o internacional canarinho Elzo. Quase diria que sozinho chegava e sobrava para aguentar o meio campo. Á sua frente uns passinhos, o capitão Diamantino Miranda. Como Carlos Manuel tinha ido transferido, Toni reconverteu o antigo extremo e ponta de lança, para a posição que hoje pomposamente se chama de 10. Sem a velocidade de outros tempos Diamantino tinha técnica, rara e inteligência para a posição. Era ele o cérebro de tudo. Quem estabelecia ritmos, movimentava a equipa, e muitas vezes sem dar por ele, decidia jogos.

Na final de Estugarda os adversários do Benfica chegam carregados e talento e ambição. Pudera, quem tinha  por exemplo Hans van Breukelen, Berry van Aerle, Jan Heintze,  Ronald Koeman, Ivan Nielsen,  Eric Gerets,  Gerald Vanenburg, Søren Lerby Wim Kieft, pouco tinha a temer de quem quer que fosse. Mas temiam. O pavor da equipa do Benfica foi visível durante o jogo, nunca percebendo que o Benfica estava muito debilitado, pois se o colectivo da equipa funcionava, faltava o génio do seu comandante para dar o golpe de asa. E mesmo assim foi com terror que os adeptos holandeses assistiram ao raid do suplente Geovanio Bonfim sobrinho (Wando) rematando a bola cruzada junto ao poste. Para todos foi um alívio conseguirem as grandes penalidades. Curiosamente só aí se soltou o talento de jogadores, com marcações absolutamente perfeitas dos penaltys, com a excepção do fatídico penalty de Veloso.

Que solução Toni optou para resolver a falta de Diamantino? Poderia ter lançado o jovem Hajry, mas este estava demasiado verde, e depois a sua carreira provou não estar à altura das expectativas. Jogou pelo mais seguro, lançado em campo o veterano Shéu Han. Dessa forma garantiu consistência no meio campo, pois o categorizado jogador cumpriu muito bem a missão de fazer dupla com Elzo, manietando o meio campo holandês comandado pelo talentoso Vanenburg.

Mas o Benfica perdeu toda a magia no seu jogo. Não houve os passes a abrir para as alas que proporcionavam os famoso piques dos extremos. Faltou o controle de jogo com bola. O comando nas pequenas situações que somadas criam momentos gigantes. Faltou talento à equipa do Benfica. Só Deus sabe, mas atrevo-me a dizer que com Diamantino a vitória seria quase certa.

Porque este flash back? Tenho assistido a algumas discussões sobre a importância ou não de pablo Aimar no futebol do Benfica. Muitos juram que a sua importância é relativa e que sem ele o Benfica é capaz de jogar futebol suficiente para ganhar a maioria dos jogos. Eu digo alto e bom som…ESTÃO REDONDAMENTE ENGANADOS. A importância de Aimar vai muito além de uns dribles bem conseguidos ou umas tabelas rápidas com o seu amigo Saviola. O jogo do Benfica só tem fluidez e resulta em pleno quando Aimar é capaz de faze-lo funcionar. Nenhum jogo do Benfica dos mais conseguidos foi realizado sem a presença do argentino em campo. Ele gere, comanda e para isso nem sempre precisa ter a bola em campo, basta mexer-se fazer deslocar os seus adversários directos das suas posições.

Não tem a capacidade física de outros tempos? Não tem a capacidade de explosão do passado? È verdade, mas cabe ao seu treinador arranjar soluções para o proteger em campo. Muitas vezes uma simples deslocação do jogador para um das alas de forma a baralhar o bloqueio adversário, libertando outros jogadores é suficiente.

Muita inocência existe no universo encarnado. Julgam por acaso que jogadores como Diamantino Miranda, João Alves, Vítor Martins ou Valdo por exemplo não tinham problemas semelhantes? Nessa altura outros jogadores se soltavam porque é impossível a equipa adversária marcar homem a homem vários jogadores, utilizando 1 ou mais marcadores directos.

Ah…dirão alguns mais atentos…o Benfica dos celebres 6-3 em Alvalade deixou fora de campo o Rui Costa. Pois, e respondo perguntando…não foi talento que ganhou o jogo? O talento de João Vieira Pinto.

Agora uma coisa é certa…é impossível realizar bons jogos deixando o talento fora do campo. A final de Estugarda foi uma boa lição. Por muito que nos tenha custado.

Bola7 falou…

03
Dez
09

O complexo da bola que (não) entra!

Começa a parecer que o jogo encarnado depende e muito da bola que entra ou não na baliza adversária.

E o golo surge e cedo a exibição atinge patamares razoáveis. Se tal não acontece ou demora a acontecer, a exibição geralmente é pró fraquinha.

Ontem JJ procedeu a algumas alterações naturais devido ao abaixamento visível da forma de alguns jogadores nucleares, com o Aimar e Di Maria à cabeça. A defesa foi mexida devido a lesões por demais conhecidas.

Como seria de esperar estas alterações criaram alguma instabilidade no jogo da equipa. Agora não justificam a alteração da matriz do jogo, sendo o tradicional jogo de troca de bola em progressão substituído pelo futebol para o ar aos repelões à boa moda do futebol e aldeia. Absolutamente incompreensível.

Começa logo em Júlio César que julgo sofrer de miopia, pois a forma como (não) repõe a bola em jogo, quando é visível que alguns jogadores estão em posição de recebe-la de forma confortável, podendo lançar-se em rápidos contra-ataques só pode resultar de fraca visão ou então de ordens expressas. Mas que cansa vê-lo mandar charutões para o ar que quase sempre terminam invariavelmente nas cabeças dos adversários, ai cana mesmo.

Com o jogo a passar demasiadas vezes por cima dos médios encarnados, estes pouca bola tinham para manobrar, passando a maior parte do tempo à procura de intercepta-la ao invés de a controlar. Aliado a isso, uma certa sombrearia e atitude expectante, resultou tudo numa fraquíssima 1ª parte, na qual a sorte bafejou as cores encarnadas um livre no qual a bola bateu com estrondo no poste e ainda houve recarga para fora.

Acredito que ao intervalo JJ deve ter “xingado” forte e feio com os seus jogadores, pois o tempo que levaram a sair do balneário não foi apenas para enregelar os pobres bielorussos.

O certo, certo, é que a atitude da 2ª parte mudou radicalmente. O estilo do jogo também. A bola passou a andar no sítio onde se sente melhor…na relva. Os jogadores começaram-se a mexer para criar linhas de passe, de forma ao jogo se tornar mas escorreito. E os golos surgiram com naturalidade, sendo que o 1º foi uma obra de arte na forma colectiva como surgiu.

Com o jogo morto os jogadores fecharam a loja e perderam a concentração, permitindo que os pobres oponentes fizessem figura de ricos. O golo do Bate foi o maior exemplo disso. Depois foi ver um jogo desgarrado, com os bielorussos à procura do milagre e os jogadores do Benfica a perderem contra-ataques escandalosos, pois em grande vantagem numérica nunca foram capazes de fazer o último passe capaz de levar o jogo à goleada.

Enfim, missão cumprida e 1º lugar do grupo garantido.

Mais uma vez a sensação que esta equipa não está programada para estar a perder. Mais uma vez a sensação que um golo liberta toda a energia criativa da equipa levando-a a um nível de jogo incapaz de conseguir quando a bola não entra na baliza adversária.

A equipa necessita urgentemente de ser capaz de se libertar desse desiderato. Os jogadores têm de perceber melhor as suas qualidades. Há que perder esse estigma, que julgo se alastra dos jogadores ao seu técnico e já “contamina” as bancadas.

Agora temos um jogo com o AEK. Por mim mandava os juniores e punha bilhetes a 1€ para animar a malta. É que 3 dias depois enfrentamos os andrades. Este sim interessa, o resto é letra.

Dizem-me que a equipa está cansada por demasiados jogos. Será? Não acho que o Benfica tenha feito demasiados jogos, e alguns jogadores até têm rodado. Não haverá aqui excessos no treino?

Bola7 falou…

02
Dez
09

Ri-se o nu do roto!

As contas do primeiro trimestre das SAD dos três principais clubes, divulgadas entre segunda e terça-feira, revelam Benfica e Sporting com níveis idênticos de falência técnica, a rondar os 18 milhões de euros de capitais próprios negativos.

Bem diferente é a situação do FC Porto, que aproveitando o encaixe com as vendas de Lisandro Lopez, Cissokho e Ibson, saiu do âmbito do artigo 35 do código das sociedades comerciais, ao apresentar 46 milhões positivos de capitais próprios – acima dos 37,5 milhões que representam metade do capital social.

As contas do primeiro trimestre da época 2009/10 revelam definitivamente a dependência dos clubes portugueses da transferência de jogadores. O FC Porto, mais um vez vendedor na última janela de transferências, apresentou um lucro de 23,4 milhões de euros, enquanto o Benfica, comprador, apresentou um prejuízo de seis milhões de euros e o Sporting, habitualmente mais conservador, teve um resultado negativo de 2,3 milhões.

De resto, olhando para as receitas excluindo as obtidas através da cedência dos passes dos jogadores os valores são equilibrados, com o Benfica a gerar 15,7 milhões de euros, o FC Porto 14,4 e o Sporting 10,9.

Em relação aos custos, novamente sem contar com os efectuados na aquisição de atletas, o mais gastador foi o FC Porto (16 milhões de euros), seguido do Benfica (14,2) e do Sporting (10,1).

As diferenças começam a avolumar-se quando se comparam os activos e os passivos das três SAD, com Benfica e Sporting claramente no vermelho.

O FC Porto apresentou um activo de 202 milhões de euros, na que é a primeira vez que uma SAD “vale” mais do que 200 milhões, enquanto o Benfica não está muito longe (189), mas o Sporting está quase a 70 milhões de distância (133).

Quanto aos passivos, a fasquia dos 200 milhões também foi pela primeira vez ultrapassada, neste caso pelo Benfica, que viu este item subir uns apreciáveis 39 por cento para os 207 milhões de euros, no que é o valor mais alto alguma vez apresentado por uma SAD portuguesa.

O Sporting, com uma situação económica igualmente difícil, apresentou um passivo de 151 milhões de euros, enquanto o FC Porto tem actualmente um passivo de 156 milhões.

Finalmente, no capítulo dos custos com o pessoal, maioritariamente consumido com os salários dos jogadores e dos treinadores, o FC Porto lidera a lista com mais de 10 milhões gastos no primeiro trimestre, mais milhão e meio do que os 8,5 despendidos pelos Benfica e mais 4,4 do que os gastos pelo Sporting (5,6).

As SAD dos três principais clubes em números

FC Porto Sporting Benfica

Resultado líquido 23 485 -2393 -6071

Capitais próprios 46 237 -18 374 -17 896

Activo 202 681 133 036 189 139

Passivo 156 443 151 410 207 035


Proveitos excluindo:

passes de jogadores 14 457 10 982 15 720


Custos excluindo:

passes de jogadores 16 051 10 140 14 219

Custos com pessoal 10 032 5660 8575

Nota: valores em milhares de euros

in O Jogo

Assim tambem eu sou gestor e sem ganhar muito.

Bola7 falou…

30
Nov
09

Aviso à navegação!

Repito o teor de um post recente, e alerto para a existência de alguns sinais que causam preocupação. É um facto que num derby disputado fora de casa, empatar acaba sempre por ser um mal menor, sobretudo quando o Benfica desse modo tirou definitivamente um concorrente da corrida pelo título final e que se mantém à frente do seu principal adversário. Mas sejamos francos, o jogo de sábado podia e devia ter sido assumido de outra forma. O nosso adversário de sábado voltou a mostrar a sua mediocridade e o porquê de estar a fazer uma época paupérrima.

Compreendo que a meio da 2ª parte, o  Jorge Jesus se tenha preocupado mais em não perder do que em ganhar. Já dizia a velha raposa, Trapattoni, que quando não se pode ganhar, deve-se evitar perder. E compreendi porque o jogo estava perigoso – o Sporting nada fazia, mas sentia-se que o jogo partido como estava, podia perfeitamente resultar numa falha nossa que conduzisse a um golo sofrido. Mas o que me preocupou foi a incapacidade (ou falta de vontade, por estratégia) de segurar o jogo, e de manter a equipa coesa de início a fim. Fizemos uma boa 2ª parte, e claramente fomos a equipa mais perigosa, que mais vez se acercou da baliza contrária. A haver um vencedor seria o Benfica…mas…

Mas neste jogo vi os sinais para os quais alertei quando Jesus assinou, e não me sentiria bem comigo mesmo se não alertasse nesta altura em que eles são ainda pouco nítidos e terão ainda poucas consequências no nosso futebol. Uma falha de Jesus nos clubes por onde passou sempre foi a gestão do esforço do plantel. A meu ver, a falta de coesão do Benfica no derby, desconjuntando-se muitas vezes entre o ataque e a defesa, teve a ver com o momento físico e psicológico de alguns jogadores. Por bem preparados fisicamente que estejam, nem todos os jogadores conseguem aguentar 90 minutos 3 vezes por semana, quer pelo seu estilo de jogo particular, quer pela sua fisionomia.

Dou o exemplo que me parece mais evidente nesta altura – Di Maria. Tem feito uma época muito boa, por muito que os seus detractores digam o contrário. Tem sido um dos motores do exuberante Benfica que temos visto, jogando sempre de prego a fundo do início ao fim das partidas, e assumindo sempre os riscos no um para um, chamando a si quase sempre a responsabilidade de ser o principal desequilibrador da equipa. Tem sido um jogador que tem jogado os 90 minutos de todos os jogos, quer no Benfica quer na selecção argentina. E o resultado começa a estar à vista – tem-se mostrado cansado, sem o discernimento que vinha exibindo. Um dos aspectos que mais se tinha de elogiar no jogador, era a sua abnegação a ajudar na defesa, correndo como um louco para ajudar o lateral-esquerdo. Nesta fase da época, é ver o lateral-esquerdo sempre sozinho, com o Di Maria a chegar sempre muito depois, e a ser batido em velocidade mais vezes no processo defensivo. É um sintoma claro de cansaço acumulado, que rapidamente se pode transformar (se é que não se transformou já) em cansaço psicológico. Obviamente que as más exibições já começaram a aparecer, e vão continuar a aparecer se nada for feito.

Também Ramires passa pelo mesmo. Ontem fez uma exibição melhor do que as que tem protagonizado, mas o facto é que já antes da lesão contraída em Goodison Park, e há uma semana contra o Guimarães, realizou exibições menos fulgurantes, com especial incidência nos espaços que deixou livres em terrenos defensivos para o adversário explorar. Novo sinal de alerta…!

Não tanto no aspecto físico, mas no aspecto da sua forma, igual situação se passa com Aimar. Tem sido o único jogador do plantel com gestão do seu esforço, pelo que fisicamente acho que não se lhe pode apontar nada, como aliás é evidente pela sua boa disponibilidade física em campo, nunca se resguardando em acções defensivas, dando tudo o que tem. Mas está profundamente desinspirado, e tem sido mais uma atrapalhação para a equipa do que uma chave para abrir as defesas contrárias. Urge gerir o seu momento de forma, e quiçá resguardá-lo no banco para entrar em alguns jogos a partir do banco, uma situação habitualmente mais confortável para fazer a diferença. Porque, novamente, insistindo na sua má forma em todos os jogos, acabará por desmotivar em primeiro lugar o próprio jogador, que pode começar a sentir que não consegue dar à equipa aquilo que a equipa espera dele.

Ainda para mais, o Benfica tem um plantel que permite gerir bastante bem este aspecto. Não é recomendável que se façam poupanças simultâneas de vários elementos chave, mas um deles pelo menos pode ir rodando, que dessa forma o Benfica não se ressentirá muito, tenho a certeza. E há jogos e jogos, há jogos claramente mais indicados para o fazer. Jogadores como Urreta, Felipe Menezes, Coentrão ou Amorim, só para citar alguns, podem resolver o problema do esforço dos elementos mais influentes da equipa (os 4 do meio campo), que são também os que pelas especificidades do seu trabalho em campo são os que estão mais sujeitos ao desgaste físico e psicológico. Se não começar a ser feita uma gestão dos momentos de forma dos jogadores mais importantes, prevejo tempestades, que já se perfilam no horizonte.

Neste jogo com o Sporting, que podíamos e devíamos ter assumido de outra forma, não faltaram sinais. E se calhar face a esses sinais, apostar mais no empate do que na vitória terá sido a opção certa – e por aqui alerto que a existência destes sinais pode ter consequências desastrosas em momentos mais decisivos, por decapitar eventuais ambições e exigências a assumir por nós. Vejam as acções do Di Maria, um dos grandes responsáveis por o Benfica ter aparecido tão desconexo entre a defesa e o ataque, razão pela qual o jogo foi tão partido e tão dado a surpresas. Vejam como o Saviola fez muito mais vezes de 10 do que de 2º avançado, devido à total ausência do Aimar. Cardozo perdeu imenso com isso, sempre sozinho. E vejam já agora como a equipa ficou mais sólida quando Amorim entrou para o meio campo, provando que mais vale ter um elemento de perfeita saúde física e psicológica em campo, do que um eventual génio criativo como o Aimar em sub rendimento. É a prova de que a gestão do esforço dos jogadores se exige e é a única forma do Benfica enfrentar uma época inteira sem quebras na sua ambição.

Há outras notas a destacar. Não se pode defender os cantos com 11 jogadores dentro da área. Hão-de me explicar qual a diferença de defender com 10 ou com 11, sobretudo quando um dos 11 é o “gigante” Saviola. Aquele lance do Miguel Veloso em que o Quim fez a defesa da sua carreira, resulta desta estupidez que já tínhamos visto no ano passado com o Quique. Nem temos qualquer vantagem a defender com 11, como ainda por cima permitimos que o adversário fique liberto fora da área para experimentar fazer o que Veloso fez. E quanto mais gente pusermos dentro da área, mais gente o adversário vai mobilizar para dentro da nossa área. Defensivamente, parece-me um tremendo tiro no pé esta estratégia, e ontem não fosse um momento de grande inspiração do Quim, e tínhamos ido de vela. Isto tem de ser mudado, senão é estarmos a expor-nos demasiado.

A lesão do Sidnei vem provar a necessidade do Benfica manter nos seus quadros os quatro belíssimos centrais que tem, e descartar em definitivo o empréstimo do Miguel Vitor a um clube qualquer. Um central que se estreou em San Siro da forma como ele se estreou aos 17 anos, não precisa de rodar para evoluir. Aprende muito mais treinando com jogadores como Luisão, do que indo fazer parelha com um qualquer Edcarlos numa equipa qualquer da Premier League. E assim quando precisamos de alguém para substituir um lesionado, podemos por em campo um jogador muito bom como o Miguel, e não um estróina qualquer sem qualidade. Reparem que sábado o Benfica ficou sem Sidnei a 15/20 minutos do fim. Se tem entrado um jogador da estirpe do Edcarlos… era tempo mais que suficiente para haver borrada. Assim entrou o Miguel Vitor, que limpou com toda a facilidade os lances em que foi chamado a intervir. É a diferença, percebam isto meus amigos!

Resumindo e concluindo, sem prejuízo do bom trabalho que tem sido feito, há alguns sinais no ar que provam que mesmo com um bom treinador e com bons jogadores, a coisa pode correr mal. Portanto está na altura, mais do que nunca, de começar a trabalhar no sentido de evitar que os sinais virem sintomas, e que pequenas oscilações de rendimento se transformem em preocupantes eclipses exibicionais. Cuidado com isso…”

Traimaniac falou…




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