De cabeça, que me lembre, foi o sexto jogo no qual o Benfica entra a perder e não consegue dar a volta ao jogo. No máximo consegue um empate e graças a Deus.
Do mal, o menos, e no final o empate obtido pelo único lance de classe no jogo, pelo mal amado Nuno Gomes, soube quase como uma vitória.
Anos a fio a viver num miserabilismo crónico levou a que os adeptos encarnados perdessem todo o sentido do real. Quem lê a criticas de alguns das minhas crónicas percebe perfeitamente isso. Quando alertei para o facto do Benfica estar longe de ser a máquina imperial que certa propaganda queria fazer passar, após jogo em Braga, não faltou quem me atribuísse ao facto um momento de desarranjo intelectual.
É curioso que ninguém parece perceber que mais jogo menos jogo, o título do pior jogo da época se sucede. Em Olhão foi o último…depois do último. Pergunto: até quando?
Quando afirmei por de forma eufemista que no fundo a equipa não tem estofo, prova visível no facto de nunca fazer porra alguma de jeito, após se encontrar em situação de desvantagem logo vieram com a conversa sobre la Palisse, como se de filosofia barata se tratasse.
Eu acho que é mais la palhaçada, onde alguns fazem o papel de bobos da corte. E aqui Di Maria, é o rei. Que o rapaz tem ar de parvo sempre reparei, mas que fosse mesmo nunca pensei. Se o Benfica fosse dirigido por gente competente, Di Maria perderia o salário de uma semana e treinaria sozinho para servir de exemplo, um pouco como fez o saudoso Bobby Robson com Fernando Couto quando este fez gesto similar.
Aliás, se Rui Costa se lembrar da sua carreira, e da sua relação com Sven Goran Ericksson, fará uma interrupção nos seus discursos redondos e terá uma conversa séria, baseada na sua experiência e dará uma boa lição de vida ao argentino, pois este tem o cérebro há muito toldado, não por malte, mas por 40 milhões de euros…de razões.
Este jogo foi uma experiência traumatizante para muito boa gente que ao ler o meu post ficará com a orelhas a arder. Na falta de Aimar, que alguns dizem não fazer muita falta, poupado e bem por vias de dúvidas na sua capacidade física, JJ pensou ter descoberto a pólvora lançando Di Maria a 10. Pôr um extremo cujo maior valor é a sua capacidade explosiva, que normalmente baixa a cabeça como os touros e avança como um louco para cima dos defesas contrários, e querer que este tipo de jogador pense o jogo é de mestre.
Ah, mas aqui tenho de ter cuidado. Convém medir as palavras, porque passo do profano para o sagrado, e nesta é época é blasfémia. Não falta quem veja no JJ, o redentor. Um dia ele há-de explicar qual foi o propósito de lançar jogadores no limite dos cartões, para ver pelo menos um deles, David Luiz, a fazer de corpo presente em campo, e mesmo assim esteve muito próximo de ser amarelado também.
As substituições, mormente aquela de tirar o Coentrão quando tudo já estava estragado, ficando sem ala na esquerda e colocando lá o pobre e esforçado Weldon, foi genial.
Não é a 1º vez, longe disso que JJ parece bloquear no banco. A equipa como é a sua imagem para o bem e para o mal ressente-se. É que o mesmo Benfica que ganha por 6, 7 ou 8 é o mesmo que faz uma triste figura em inúmeros jogos dessa época, porventura encapotados pelos resultados. E o treinador é o mesmo.
Aliás pergunto isto: para que serve ganhar por 6,7 o 8 se outros ganhando por metade ou nem isso têm praticamente os mesmos pontos do Benfica? Conversa engana tolos, diria a minha avó.
Temos ganho o respeito e receio dos outros? Isso foi no início. O jogo de sábado mostrou que tudo regressou à “normalidade”. Pensei que alguém ligado ao Benfica ainda falasse de algo mas afinal, parece que tudo anda a dormir. Falo da arbitragem e não só. Muito bem conseguida. Dando a sensação de isenção foi das mais inteligentemente habilidosas que já vi. Apitando a tudo, levou que todos ficassem a com a falsa sensação de jogo duro, aceitando com naturalidade a amostragem de cartões. Prejudicou alguém em especial? Não! Beneficiou 3º. Mais uma vez somos comidos como patos. Às tantas os jogadores tinham medo de disputar com maior virilidade as bolas porque sabiam que o árbitro apitaria sempre, daí mito do laxismo mostrado em campo. E aquelas rábulas, com a tentativa já vista de tentarem expulsar o Cardozo novamente, ou mesmo o David Luiz mostra que o respeito ao Benfica é conversa de xaxa.
Ah, afinal até têm desculpa, dirão alguns. Bem, se a vantagem fosse nossa este tipo de arbitragem até nos favorecia. É a tal estória…marcas 1º e é tudo cor-de-rosa.
Voltando a JJ, sempre me afirmei agnóstico em relação a ele. Espero sinceramente não virar ateu de vez. Como leio a Bíblia desconfio: “Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos...”
Eu espero que, tal qual S. Paulo tornar-me crente. Domingo espero ver a luz.
Bola7 falou…










