
Emprestados, Emprestadados, dispensados e afins…
Quero e gostaria de perceber como é que um QUIQUE FLORES que mostrou ao longo do campeonato que não sabia patavina do futebol Português sabe à partida que jogadores como MAKUKULA, LUÍS FILIPE, ROMEU RIBEIRO, RUBEN LIMA, HALLICHE, entre outros não servem? Não é suposto o treinador ver todos os jogadores do plantel primeiro, e só depois tomar decisões? Há negócios que obviamente não dá para cancelar a meio (empréstimos já a decorrer ou empréstimos de jogadores saídos dos juniores – desde que esses empréstimos garantam a valorização do jogador através de um número mínimo de jogos) mas há também formas do clube que empresta o jogador salvaguardar interesses ou não?
Se somos assim tão grandes, penso que passa por aqui também parte dessa grandeza, ou começamos a mostrar que merecemos respeito, ou então não vamos a lado nenhum. Depois admiramo-nos quando certos dirigentes “inteligentes” que têm tido um histórico recente de bons negócios para os seus clubes a quererem jogadores do BENFICA a custo zero, e admiramo-nos ainda mais quando o BENFICA cede mas está tudo bem, pouco depois já nos esquecemos porque chegam outros craques para nos deixar com água na boca.
Como é que MAKUKULA, que marcou 7 golos em pouco mais de 5 meses a serviço do Marítimo – que diga-se de passagem, não tem tido muitos jogadores a marcar mais de 10 golos todas as épocas – chega ao BENFICA em Janeiro de 2008 e em pouco mais de 2 meses, apesar de “supostamente” ter sido a pedido do treinador na altura não joga mais de 3 ou 4 jogos a titular? Isto depois do clube ter pago mais de 3,5 M de € por ele. Será que o próprio treinador equivocou-se e julgou que estava a pedir um outro jogador e não o que lhe apareceu no plantel pouco depois? Terá esse treinador ou alguém do clube feito uma observação detalhada do jogador em causa? E porque é que esse clube que gastou os tais 3,5 M de € nesse mesmo jogador não pensa em rentabilizar ao máximo essa compra? Seja desportiva ou financeiramente. Rende em campo? Só se pode saber se jogar… mas quantos jogos terá feito o MAKUKULA? Quantos minutos tem de águia ao peito o ARIZA nas pernas? Qual a solução? Emprestá-lo para o mais longe possível e não se importarem com a rentabilização mínima desse negócio, nem sequer garantir um número específico de jogos para o jogador? O porto faz isto constantemente e ninguém se queixa, o Estrela da Amadora até deve ter agradecido essa política do porto nas 2 últimas épocas onde foram potenciados jogadores que irão fazer ou já fazem parte do plantel do porto e por esta altura já valem alguns Milhões e por muito poucos Milhões que sejam, já rentabilizam o investimento inicial do clube neles.
Passo a outros nomes, para não se achar que isto é uma implicância ou fixação com o MAKUKULA. SEPSI é outro excelente exemplo desta política desportiva “maravilhosa”, chegou ao BENFICA e estava completamente tapado por um senhor chamado LÉO, mas que na altura já tinha 32 anos… seria uma questão de tempo e paciência para que este miúdo romeno de quem se dizia ser o melhor lateral esquerdo a jogar no País e com 22 anos, se pudesse tornar no próximo lateral esquerdo titular do BENFICA, mais 1 ou 2 anos no banco a aprender do LÉO e a jogar aqui e ali resolveriam a questão não é? Não se sabe mas era no mínimo o que se podia esperar. Se os Manchesters Uniteds compram os EVRAs e põem-nos no banco na primeira época para se irem habituado, porque é que no BENFICA é que se dispensam miúdos de 22 anos em pouco mais de 6 meses?
Pois, eis que alguém se lembra de o emprestar e ir buscar um jogador que até fez uma grande época mas não a lateral esquerdo mas sim a médio (JORGE RIBEIRO), para essa posição de lateral esquerdo. Quem terá sido a mente brilhante por trás desta ideia? Não sei. A muitos o empréstimo do SEPSI não transtornou nem causou espanto (a alguns se calhar até lhes deu para aplaudirem esse empréstimo); a mim… justamente pelos contornos do negócio, por ver que nem sequer foi um empréstimo que se revelava uma mais-valia em termos financeiros pois a cláusula de opção era pouco mais do que o BENFICA tinha pago por ele. Se fosse um negócio como o que o BENFICA podia ter feito com o DÍ MARIA, que não tinha feito 1 minuto pelo clube sequer e já tinha tido ofertas pelo dobro do valor rejeitadas pelo clube, entender-se-ia.
Podia aqui também falar do HALLICHE, de quem muito se fala e se diz que não tem valor porque era o 3º central no Nacional… pois era, mas se calhar interessa mais ao RUI ALVES que tem feito excelentes negócios por aquelas bandas nos últimos anos rentabilizar os 2 brasileiros deles antes de valorizar activos de outros clubes e curiosamente quem tem feito muito isso é o BENFICA que depois por isso mesmo acaba por não conseguir comprar esses jogadores.
É que se não vale nada o tal HALLICHE, como se explica que a certa altura da época era titular (e até chegou a fazer um grande jogo na Luz) e tinha atirado para o banco 1 dos 2 brasileiros de quem todos falam maravilhas? E como se explica ainda que o Sr. RUI ALVES o queira na próxima época mas desta vez não por empréstimo mas sim em definitivo? Será por saber que pode ganhar uns bons trocados com ele ou porque o quer lá até ao final da carreira? E para finalizar, como se explica também que de repente perto do final da época, o HALLICHE desapareceu? Não é estranho? Nem um pouco?
O BENFICA também tem feito bons negócios, mas têm sido tão poucos que é fácil lembrarmo-nos de todos, se falarmos em AMOREIRINHA, JOSÉ FONTE, STRETENOVIC e mais um ou outro, vemos que é possível fazer bons negócios. Talvez porque esses tiveram a sorte de ir para sítios onde puderam jogar alguns jogos e com isso valorizaram-se ao contrário de outros… o tal de STRETENOVIC até tinha vontade de jogar no Benfica e chegou a ser falado para a selecção da Polónia (o clube a que esteve emprestado é Polaco) através de uma naturalização.
O porto também tem a sua quantidade de negócios que não lembram a ninguém e que os portistas mais querem é esquecer: ALESSANDRO, ESQUERDINHA, DA SILVA, LEANDRO DO BONFIM, RUBENS JÚNIOR, KRALJI, WOSNIAK, ERIKSSON, SÖDERSTROM e por aí fora… mas nos últimos anos em que eles têm crescido cada vez mais, contam-se a quantidade de negócios deste calibre. E quem não se lembra dos regressos de empréstimo do porto que lhes tem rendido muito, tanto desportiva como financeiramente: PITBULL, TARIK SEKTIOUI, RICARDO CARVALHO,
Acham mesmo que um Estrela da Amadora prefere apostar num NUNO COELHO ao invés de apostar num jogador seu que lhes possa render algum dinheiro? Mas o que é mais importante para o Estrela? Passar dificuldades e tentar rentabilizar jogadores seus antes sequer de ter estabilidade financeira OU ter no clube jogadores emprestados com alguma experiência, que possam garantir alguns pontos por época e (acima de tudo) por quem não tenham de pagar absolutamente nada (sendo assim menos um problema em termos de jogadores a reclamar salários em atraso e contas por pagar em casa) Acho que as respostas são óbvias. Estou aqui a falar e a elogiar o porto, que reconheço como um clube que luta com outro tipo de armas mas que a nível de competência e Gestão, há que reconhecer também que está Anos-Luz à frente dos outros todos, até mesmo que alguns por essa Europa fora. Vamos ser orgulhosos e fazer diferente só porque somos o BENFICA ou vamos tentar copiar o pouco de bom que podemos copiar deles?
E no fim, não é tudo isto que me espanta mais… mas sim a capacidade dos adeptos de verem para além do óbvio e do concreto. De conseguirem dizer que o jogador X, Y ou Z não vale nada porque não joga onde está, ou porque não fez nada na ano anterior, ou porque com 400 e tal minutos jogados pelo BENFICA, 5 golos marados, e 19 anos conseguem ver que dali não vai sair nada? Ou tipo o BERGESSIO que agora até à selecção da Argentina vai? Se somos os primeiros a desvalorizar os nossos, como querem que os outros os tratem? O melhor exemplo disto e do qual até me ri durante meses (ainda conto esta história a algumas pessoas) foi quando um amigo meu, portista claro, me disse que o MAREK CECH era melhor que o LÉO… na altura nem sequer me consegui rir, apenas calei-me perante tamanho absurdo. Passado bastante tempo finalmente cheguei a uma conclusão, como é que eles não hão-de ser os melhores e fazer os melhores negócios quando são os primeiros a achar os seus jogadores os melhores do mundo? Os negócios à porto de que muito se gosta de falar nos fóruns, blogs e janelas de comentário nos sites de jornais desportivos são isso mesmo… negócios à porto, mas o que é que esses negócios à porto significam mesmo? Que o clube que recebe os jogadores é prejudicado e terá de fazer cedências grandes perante as exigências do clube que empresta não é? Mas estamos malucos ou o quê? Então se eu empresto um CD a um amigo não é no mínimo legítimo que faça exigências também? É estúpido se eu disser: empresto-te o CD mas quero que mo devolvas terça-feira até às 18 horas e SEM nenhum risco e ai de ti se o emprestas a alguém! Afinal de contas fui eu ou não, quem pagou pelo CD inicialmente? É talvez uma analogia demasiado exagerada mas penso que com o mínimo esforço mental… acabará por fazer sentido. Muito penso eu nisto… e nem sequer sou nenhum génio do futebol ou empresário brilhante apenas um adepto que gostaria que o BENFICA conseguisse dar valor aos seus activos.
Finalmente um muito obrigado e uma palavra de apreço ao BOLA7 que infelizmente não conheço pessoalmente e que também por ser um grande Benfiquista encontro muitas vezes no mundo virtual e com quem até já discuti imensas vezes mas sempre com respeito e sempre a pensar no amor que nos une: o BENFICA. Um grande abraço e mais uma vez Obrigado.
Marco Paulo Ferreira falou…
PS: Reside em Maputo, Moçambique