O livro do antigo internacional português Fernando Mendes, “Jogo Sujo” é a prova viva de como o cidadão português perdeu toda a honradez, coragem e galhardia, que possuía no passado e que permitiu descobrir meio mundo.
Não se arrepende de não ter falado nisto mais cedo e de ter até denunciado às autoridades competentes?
Não, porque eu fazia parte do mundo do futebol e quando se faz parte vive-se e as coisas passam-nos um pouco ao lado. Não me arrependo. Acho que este é o momento exacto.
Para quem não sabe, trata-se de um livro no qual o antigo internacional conta com a maior desfaçatez do mundo que a sua carreira foi feita muito à custa da batotice, mormente o doping, alem de outras questões como mulheres, etc.
As revelações sobre doping talvez sejam as mais graves. Viveu estas práticas em mais do que um clube?
Sim, foi em mais do que um clube. Quem ler o livro e estiver um pouco ao corrente do que se passa no futebol, saberá os alvos que estou a querer atingir.
Diz ele que pensou em por os nomes, tintim por tintim, mas que mudou de ideias, para não ter problemas judiciais, apesar de dizer-se com coragem para tudo.
Por que é que não revelou os nomes dos clubes?
Cheguei a pensar nisso. Houve uma primeira versão do livro que tinha os nomes todos, só para não haver problemas…não é problemas, porque não tenho medo. Se tivesse medo, não teria escrito este livro. Com a primeira versão iria ter problemas em termos judiciais, porque os casos que aponto é difícil ter provas. Estou a contar o que se passou comigo, mas se forem ter com os meus ex-colegas eles dizem que é mentira. A primeira versão foi alterada por causa disso. O meu advogado leu o livro várias vezes, para retirar as situações que podiam ser prejudiciais
Mas depois vem a suprema hipocrisia, quando afirma que nos grandes nada disso se pratica. E então sobre o FCP, pois sim…
Passou pelo Sporting, Benfica e FC Porto. Em algum deles, assistiu a práticas de doping?
Não. Não vi nada disso nos “grandes”. Curiosamente, quando fiz este livro, as pessoas pensavam que o alvo disto era o FC Porto e tive o cuidado de explicar que não. Passei a minha carreira toda a ouvir que no FC Porto se fazia isto e aquilo, mas tive o prazer de jogar num clube com pessoas fantásticas. Nunca se falou disso e não ponho em causa a seriedade das pessoas.
Mas leiam estas passagens.
«Em determinado período da minha carreira cheguei a um clube que tinha uma grande equipa, um belíssimo treinador e um presidente carismático . Para além destas qualidades, existiram outros ingredientes que facilitaram o nosso percurso vitorioso . Devo dizer que antes de ir para este clube nunca tinha tido qualquer experiência com doping (pelo menos conscientemente)»
«Os incentivos para correr eram sempre apresentados pelo massagista. Passado pouco tempo de estar no clube, ele aproximou-se de mim, e de outros novos jogadores (…) Disse-me claramente que aquilo que ia dar-me doping (…) Com o passar do tempo assumi os riscos e tomei doping de todas as vezes que me foi dado . (…) Nunca vi um único colega insurgir-se perante essa situação»
«No meu tempo, o doping era tomado de duas formas: através de injecção ou por recurso a comprimido . Podia ser antes do jogo, no intervalo, ou com a partida a decorrer, no caso daqueles que saíam do banco (…) A injecção tinha efeito imediato, enquanto os comprimidos precisavam de ser tomados cerca de uma hora antes do jogo (…) Em alguns clubes onde joguei tomei Pervitin, Centramina, Ozotine, cafeína , entre muitas outras coisas das quais nunca soube o nome. (…) Nos jogos importantes era sempre certo (…) Quando se sabia que não iria haver controlo antidoping, nunca falhava».
Mas esta é interessante. Quem gosta de procurar eventos do passado, estatísticas e coisas análogas, que procure saber quem era esta equipa, sendo assim fácil saber qual o clube onde Fernando Mendes jogava.
«Lembro-me de um jogo das competições europeias contra uma equipa que tinha três campeões do mundo no seu plantel . Um deles era um poderoso avançado no jogo aéreo. (…) Apanhei-o várias vezes no meu terreno de acção. Ele era um armário, com um tremendo poder de impulsão. Mas nesse dia eu saltei que nem um louco e ganhei-lhe quase todas as bolas de cabeça (…) O meu segredo: uma pequena vacina, do tamanho de meia unha, chamada Pervitin».
Aposto quanto quiserem que ele vai dizer que o clube em questão é o…Boavista. Bruxo.
Termino com a reacção da procuradoria da Republica.
O antigo futebolista internacional Fernando Mendes alegou num livro biográfico que o recurso a substâncias “dopantes” ilegais foi recorrente no futebol português durante a sua carreira, mas a Procuradoria-Geral da República entende que não há motivos para investigar.
Questionado pela Agência Lusa, o gabinete de imprensa da PGR respondeu que “até agora, não se encontram motivos para abrir inquéritos com base no livro do ex-futebolista Fernando Mendes”.
Pobre país…pobre gente…
Bola7 falou…


