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John Mortimore, ou o exemplo a seguir.

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Ao ler o escrito do meu amigo Marco Paulo ferreira sobre o não aproveitamento de jogadores do plantel, porque não se tem paciência para esperar, tive uma discussão com uns velhos amigos sobre a qualidade ou não do Britânico John Mortimore, e a velha questão dos treinadores que querem tipo miúdos mimados, comprar brinquedos novos, diga-se jogadores, à pala do pobre adepto, que paga e não bufa. Convenhamos também que a maioria dos adeptos adora esta coisa dos brinquedos novos, e depois queixa-se. Nas Caxinas, terra de pescadores, gente rija, costuma-se dizer que quando se dá demasiada confiança à canalha (crianças) ela abusa. É o que se passa no futebol actual. Em todos os clubes. Um qualquer treinador chegando ao clube resolve a seu belo prazer esquecer-se do potencial do plantel para adquirir os jogadores ao seu belo prazer, muitas vezes por fins inconfessos, outras vezes apenas por teimosia, provocando em muitos casos perdas desportivas e financeiras importantes. Depois, fazendo lembrar a “canalha”, utilizam a chantagem psicológica para atingirem os seus fins… se não tem os jogadores pretendidos rapidamente faz passar a mensagem que se encontra ai a razão para um possível fracasso. Mas o curioso é que quando fracassa, apesar de satisfeito todo o seu desejo, a culpa normalmente morre solteira, e os dirigentes ficam com “criança” na mão. Um bom exemplo disso foi o “Sr.” Artur Jorge, o poeta da morte. Por acaso, e em muitos casos, é bem feita para alguns dirigentes, que não passam de uns cretinos. Daí ter vindo à memória o inglês John Mortimore. Contratado em 1976, ao modesto Southampton, não passava de um modesto assistente de campo, assim a modo do Carlos Queiroz…hum hum hum.. Mas mais ao menos modesto também tinha sido o curriculum de Jimmy Hagan e depois foi o sucesso que se viu, pensaram e bem os dirigentes encarnados. Privado do viveiro ultramarino, com os ventos da revolução a soprar para norte, com uma sociedade não preparada para a “modernidade”, com jogadores apanhados nas malhas da droga (Vítor Baptista e Barros à cabeça), Mortimore viu-se na contingência de renovar o plantel. Duro e disciplinador, não hesitou em boa hora, de lançar jovens, uns à experiência, outros de forma definitiva. Se necessitava de algum jogador para o plantel, ia ás camadas jovens recruta-lo e lançava-o sem hesitações no plantel principal. Assim jogadores como Chalana, Bastos Lopes, Eurico, Alberto, Shéu, Pereirinha, Cavungi, José Luís, tiveram a oportunidade da sua vida e muitos deles souberam agarra-la. Assim conseguiu Mortimore ganhar mais um título para o Benfica, aparentemente perdido para o scp, tal o avanço que este conseguiu no 1º terço do campeonato. Curiosamente na época seguinte conseguiu a “proeza” de não ser campeão, apesar de não perder um só jogo e ter os mesmos números de pontos que o campeão, FCP. Mais tarde regressaria ao Benfica e com organização e sem grandes estrelas, e praticamente sem reforços, conseguiu a última dobradinha do Benfica, mesmo enfrentado o campeão europeu, FCP. Este possuía uma super equipa, e tinha até pela 1ª vez na história do nosso futebol, um jogador com o valor de 1.000.000 de dólares, o brasileiro Casagrande, valor que na altura era o patamar para ser milionário. É evidente que para tal teve uma retarda de valor, cujo presidente Fernando Martins, se recusou despedir Mortimore quando este foi cilindrado em Alvalade por 7-1. O súbdito de sua majestade percebeu que tinha de dar força ao meio campo e não teve pejo em ir ás reservas buscar um modesto jogador congolês, de nome Tueba, que foi fundamental no renovar do vigor do mio campo encarnado. Isto juntando à vontade e garra dos jogadores simplesmente arrasaram com o fcp. Infelismente por força do título europeu do fcp, a inteligência Benfiquista achou que o Benfica precisava de um treinador com ambição e despediu sem glória John Mortimore para contratar… Ebbe Skovdhal. Homenageio o narigudão Mortimore porque o seu exemplo deverá fazer corar certos doutores da nossa praça futebolística, nomeadamente os treinadores da nova vaga, que onde passam deixam um belo rasto do seu “trabalho”. Pois, quem vem atrás que feche a porta. E quantas portas não se estão a fechar no futebol profissional em Portugal. Até quando?

Quando estamos perto do regresso ao trabalho, e quando o defeso é sempre uma tentação, que sirva de motivação e lição a Jesus e seus pares.

Bola7 falou…

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