07
Set
10

Piloto automático para o caos!

Há muito que seguindo a “boa” prática lusa, a selecção nacional de futebol anda em piloto automático para o caos. Este foi ligado no dia em que Scolari percebeu que nunca na vida conseguiria um contrato confortável em termos de temporais, que lhe permitiria olhar além do imediato, e que em todas as fases finais estaria sempre a ser escrutinado comos e um principiante de tratasse. Nesse dia preferiu ganhar umas valentes coroas em Londres e abalou para a estranja para poder reformar-se milionário. Hoje faz de conta sonhando com o regresso a Lisboa, para uma velhice tranquila.

Sem o único elemento capaz de incutir uma dose nem que fosse mínima de comando, o caos anunciado chegou bem depressa à sede da FPF.

Vivendo de expedientes, fases finais com resultados de relevo, organizações importantes em sede de UEFA, a FPF escondeu a sua total ausência de um verdadeiro projecto para o futebol português.

Com a contratação de Queiroz, pensou-se que algo poderia ter mudado na cúpula directiva, e que finalmente alguém pensava futebol por aquelas bandas, ao invés da habitual feira de vaidades. Afinal regressava o homem que após José Augusto tomou em rédeas um projecto que revolucionou o futebol luso. Ninguém em consciência pode colocar em causa a competência de Queiroz para organizar os escalões mais jovens, como só ele conseguiu na década de 80, servindo de referência às grandes potências actuais do mesmo futebol, França e Espanha. Na altura Queiroz colocou Portugal muito à frente de quaisquer deles.

Mas Queiroz, qual júnior em transição para o futebol sénior, nunca conseguiu essa mesma transição. É curioso como o discurso redondo e feito de palavras ocas que Queiroz repete até à exaustão, é praticamente o mesmo que levou à reconciliação do adepto com a selecção nos pós Saltillo. Com Queiroz tornou-se a cantar novamente o hino nacional. Mas os tempos são outros. O homem criou tantos anti-corpos que mesmo eu não consigo compreender como, pois afinal, ele fez a maior parte da sua carreira no estrangeiro.

Sempre disse que a herança de Scolari não estava ao alcance de qualquer um, e tudo o que está a acontecer, previ-o logo na despedida do brasileiro. Confesso-me cansado de ter razão, principalmente quando não quero, mas a realidade não se escamoteia.

Numa sociedade lusa sem rei nem roque, onde não existe o mínimo de autoridade em qualquer sector da vida social, com a honrosa excepção da militar, a FPF é o maior exemplo deste modus operandis, como diria o Pimenta Machado. Observem que a FPF continua fora do novo regime desportivo, ou seja, à face da nova legislação está ilegal. Gilberto Madaíl é um pobre pateta…ou xico esperto…que limita-se a deixar correr as águas, nada fazendo para mudar a situação. Não se quer chatear, como é “natural” na nossa sociedade, é deixar correr…preso a uma teia de interesses, os seus, e os de quem o meteu lá anos a fio, é uma barata tonta, que anseia por uma solução milagrosa, vindo do além, que faça por ele o que a sua incompetência impede.

Mas ninguém nesta história está inocente. Mesmo Agostinho Oliveira começa a revelar-se. Sabendo que Queiroz não conta com ele para uma eventual renovação da equipa técnica no futuro, surge quase a dar o grito de Ipiranga, desmarcando-se do chefe, dando a entender que se está a borrifar para o problema do seu chefe. Mas a sua incompetência revela-se não só em campo, mas também na forma como culpabilizou um sector da equipa pelo bizarro empate com Chipre. Depois quem diz o que pensa ouve o que não quer…Bruno Alves arrasou na resposta. A falta de autoridade de uma personagem apagada, já se tinha visto quando na passagem entre António Oliveira e Scolari, assumiu o cargo de forma interina, e um belo dia, Figo mandou-lhe literalmente para as malvas.

E então caso Queiroz? Pouco mais há a dizer. O moçambicano é vítima da sua arrogância, exacerbada em terras de sua majestade. Já agora um recado para ele…tenha vergonha e deixe de ser mentiroso. Vivi os melhores anos da minha vida em Moçambique, e aquela conversa que por lá certos calões eram corrente, não passa de uma mentira descarada. Se há terra em que as pessoas tinham a preocupação de não utilizar linguagem de vulgar carroceiro, essa terra chama-se Moçambique. Queiroz é de uma estupidez atroz. Bastava um pedido de desculpas, assente num “”errei, estou envergonhado e peço perdão” e teria resolvido o seu problema quase na totalidade. Não na totalidade porque a competência não se adquire com palavras ocas.

E agora que fazer? Bem, o ideal, o ideal mesmo seria um terramoto lá para a sede da FPF, com consequente limpeza da “porcaria” que por lá anda, mas cá entre nós, até há locais em Portugal cuja barrela seria mais premente. A solução será aquela que já apontei ao muito…Queiroz será corrido como um vulgar vira-latas, e para o seu lugar virá ou Aragonês, com a sua vontade de se vingar dos seus conterrâneos, ou mesmo quem sabe um sueco há muito (não) esquecido.

Quanto ao resto, coragem para por a FPF na lei, limitação urgente de estrangeiros no nosso futebol, limitação da intervenção da escumalha dos empresários nas camadas jovens, alteração da estrutura geral do nosso futebol, bem isso ficará para servir como tese para futuros doutoramentos.

E que dizer do Benfica nisto tudo? Socorro-me do texto do meu amigo Geração e do seu famoso blog http://geracaobenfica.blogspot.com/2010/09/o-benfica-e-o-piloto-automatico-da-fpf.html e poupo nas palavras.

Ah…e quanto à qualificação? Atendendo à minha experiência de 40 ano a ver bola por este mundo fora, duvido muito que a equipa portuguesa consiga sequer o empate. Se tal acontecer, e a vitoria então, bom, muito me surpreenderá. Está tudo feito para vivermos mais uma vergonha esta noite…a menos que os jogadores tomem mão do seu destino e provem ter tomates…porque se estiverem à espera de uma iluminação divina dos seus comandantes, estão bem fo…

Mas nunca se sabe…afinal futebol é um jogo muito à parte…mesmo muito.

Enfim…país de merda, mas é o pais que amo….que fazer…?

Bola7 falou…

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7 Responses to “Piloto automático para o caos!”


  1. 1 Tosta Mística
    07/09/2010 às 11:35

    É daquelas coisas, ando dividido com esta novela do Queiroz:

    – Por um lado nunca pensei poder divertir-me tanto com o Queiroz e a Selecção: é vê-los chafurdar profundo na lama, como num concurso miss t-shirt molhada… Com o PdC a assistir de camarote, na companhia do director desportivo do rival S C Braga (desculpe, pode repetir?)

    -Por outro lado faz-me espécie ver ali o espelho do país em que nos tornamos: desorganização, preguicite, desenrasque, salve-se quem puder, etc etc. (o tal piloto automático).

    Mas acredito que logo é para ganhar, a comédia não pode durar sempre.

    Nota: preocupantes aquelas palavras do Simões sobre a sobrevivência de quem tramou o saudoso José Torres.

  2. 2 Hugo Miguel Franco
    07/09/2010 às 11:52

    O bonito é o alegado maior Clube do Mundo alinhar entrar na carruagem,com a mesma acção e dignidade de um qualquer clube da 2ª Divisão ou dos Distritais.

    Isso sim! É mau, é bera, é tudo… mas nós contribuimos

  3. 3 HEROIS DO MAR EL GRANDE SUPRA SUMO
    07/09/2010 às 12:07

    a selecao e um reflexo verdadeiro do caos e chafardice que e o estado que representa

    PORTUGAL NO SEU TODO E DEPOIS DA CASA PIA METE-ME NOJO PURO NOJO!!!!!!!!!!!!!

  4. 4 Mauro
    07/09/2010 às 14:34

    Um dia Queiroz disse algo do género:

    ” TEM DE SER FEITA UMA LIMPEZA NA FPF”

    Hoje acho que com a sua entrada não só não foi feita limpeza, como foi acrescentada mais merda (substantivo portugues que melhor define certos objectos e pessoas)

    Por isso podemos orgulhar que temos uma selecção, NÃO AO SERVIÇO DA PATRIA, MAS SIM DO POLVO…e este não é o Paul

  5. 5 Tosta Mística
    07/09/2010 às 16:15

    O Luis Freitas Lobo escreveu no Expresso deste fim de semana sobre Francisco Varallo, jogador e melhor marcador do Boca Juniores (com 194 golos, ultrapassado por Palermo apenas em 2008), último sobrevivente da primeira final de um mundial, em 1930, onde jogou e perdeu pela Argentina e recém falecido (30 de Agosto passado).

    Apesar dos seus cem anos, conta LFL como o jogador ainda se emocionava por não ter sido capaz, com os seus companehiros, de transgredir, se libertarem da pressão e darem a volta ao Uruguai.

    Isto para dizer aos dirigentes:

    Acabem com as politiquices! Deixem o futebol para os jogadores e para aqueles que se divertem e se emocionam com as boas jogadas, as táticas e com os golos!

    Chega!

  6. 6 ela
    07/09/2010 às 22:33

    Comentario ouvido na RTP Internacional durante o jogo : “a selecçao da Noruega nao faz virtuosidade porque nao sabe mais”…..

    SIC

  7. 7 tabakaebola
    07/09/2010 às 22:49

    ahahahahhaha o Bola enganou-se!!!

    Tabaka Fumou e da boa!!


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