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O regresso do capitão!

O “regresso” de Ronaldo é simbólico do regresso de muitos jogadores ao conceito selecção…o conjunto de jogadores mais capazes da nação futebolística unidos em torno da bandeira a expressarem as suas potencialidades.

Meus caros, a constatação de uma realidade…uma equipa que possui na sua fileira 3 titulares do Real Madrid por muitas deficiências que possua nunca será uma equipa fraca. Se é certo que o grupo não tem os fantásticos valores de um passado próximo também não é a selecção de mancos que muitos tentam fazer crer. E depois anda muita gente desatenta. Por acaso tirando a fantástica Espanha, exemplo vivo da competência em todas os aspectos dentro e fora do relvado, do regresso de uma Alemanha a caminho dos seus velhos pergaminhos, que selecções na Europa estão ao nível do seu melhor passado? Já nem falo da há muito decadente Hungria. Falo da França…da Bélgica…da república Checa…da Rússia (ex-URSS) …da Croácia…da sérvia…até da Inglaterra e muitos mais…os nórdicos por exemplo.

Há 10 anos o grupo de Portugal seria o grupo da morte. Dificilmente nos qualificaríamos, e hoje pergunto…alguma dessas selecções em condições normais tem a mínima hipótese de ganhar um jogo a Portugal?

Há gente que já comprou bandeiras para coloca-las nas varandas para o 2012, se calhar aproveitando o IVA que ainda “só” é de 21%, como se a vitória de sexta fosse sinónimo de qualificação.

Eu cá desconfio de tudo e todos como de costume. E sei bem que a chamada chicotada psicológica vale por mil vontades. É certo que Portugal acabou por ganhar bem, e até merecia mais. É certo que alguns jogadores revelaram que são capazes de ajudar a montar uma equipa de qualidade acima da média geral. Mas também foi visível que muito trabalho aguarda Paulo Bento. Com tranquilidade e coragem é possível fazer mais, muito mais.

Apesar de estruturalmente ser o melhor sistema de jogo que se pode definir em campo, basta brincar com uma caneta e papel, desenhando um campo e colocando uns bonecos no mesmo, para perceber isso, considero contra a maioria dos observadores, analistas e paineleiros que o sistema está absolutamente caduco, relembrando a todos que o 4-3-3 já tem barbas desde há muito, e que quando explodiu em força nos anos 70 o futebol era muito diferente, porque menos táctico e menos atlético. Aliás bastaram poucos anos para os Ingleses dinamitarem-no por completo no panorama UEFEIRO.

Logo gente quer já escrever falando do Inter de Mourinho. Não tem nada a ver o 4-3-3, direi clássico, com o 4-3-3 muito especial do Inter, do Barça também ou do actual Real Madrid.

Digo sem medo de ser desmentido no futuro que o sistema de jogo que mais convém a Portugal, e que julgo que vai ser implementado em breve, será um similar ao Espanhol, pois é aquele que se adequa às características dos nossos jogadores.

Não vou utilizar palavras caras…aos comentadores da nossa praça para explicar a minha ideia, porque para ser sincero, considero-me um analfabeto e nada entender do que eles dizem.  Não tenho qualquer problema em dizer que com este sistema puro de 4-3-3 vamos ter  dificuldades desnecessárias frente à Noruega, Dinamarca lá, e já nem falo da “falida” Islândia. Porque certos jogadores não interpretam em rigor este sistema, e outros não se enquadram no mesmo. Falo da forma como os extremos não ajudam os laterais a defender, em especial o Ronaldo, nem da forma como não se exponencia a potencialidade de comando de Carlos Martins, que será a breve prazo a 1ª vítima do sistema, caso não sofra ajustes.

Na minha opinião, e vale o que vale, é extremamente fácil contrariar o jogo português. Basta descer o bloco defensivo mas manter o mais ofensivo bem alto, de forma criar um espaço enorme entre a defesa lusa e o ataque. Depois colocar um pivot no meio campo no meio dos médios interiores lusos, longe do trinco, de forma a segurar a bola no imenso espaço do meio campo. Foi assim que a Dinamarca fez com sucesso até ao 1º golo. Que falhou? A qualidade de passe dos vikings. Duas falhas…pum, pum…2 golos. Depois Portugal inteligente. Recuou e juntou os blocos, acabando com esse espaço pomposamente chamado de “entre-linhas”, e esperou pelos dinamarqueses na segurança da vantagem anímica, e na melhor qualidade dos seus intérpretes. Depois Paulo Bento libertou Ronaldo para as acções que julgo serem as ideais para ele, saindo da esquerda para o centro, apoiado no bloqueio feito pelo ponta de lança, numa imitação do estilo Villa na selecção “roja”. E foi curioso e também irritante ver o fantástico duelo entre a artilharia pesada de um ex-extremo porque o “destruiram” fisicamente para essa função, e um extraordinário sucessor do mítico Schmeichel.

E adepois entra também a outra questão que já expus…a questão Martins. Este é, quer se queira quer não, apesar do enorme esforço no Benfica para tentar ser um numero 8, um jogador para perto da posição 10, o clássico construtor de jogo. Um armador de jogo não pode colocar-se na metade de um campo, não o cobrindo por completo. Observem o extraordinário Xavi, onde ele joga. Na posição central do campo, comandando as operações e colocando assim outro magnifico jogador, Fabregas no banco de suplentes.

Portugal tem de fazer a equipa descair para sua esquerda, com um extremo clássico á direita, Nani, descaindo a conhecida “maçã podre”…pobre lagartos…mais á esquerda, para que o Ronaldo se solte na frente sem se preocupar em vir tapar as subidas do lateral adversário, porque ele…não o faz, pura e simplesmente…vide a sequencia que origina o golo dinamarquês.

Ah…a menos que Paulo bento opte pelo seu esquema favorito, o losango. É que depois de ver o Nani a trabalhar pelo centro, vejam o maravilhoso movimento, visão e passe no 3º golo, julgo ser muito redutor vê-lo escondido do jogo em demasiados momentos do mesmo, porque se encontra demasiado encostado á linha. Um Nani mais móvel, tornará o jogo de Portugal mais fluido, porque os melhores jogadores não devem estar tão á margem do jogo, porque do outro lado existe alguém que reivindica um maior protagonismo…e como Ronaldo agradecia.

Se há muitas dúvidas acerca do que escrevi, revejam a exibição do Ronaldo. Na 1ª parte parecia um jogador de trinta e tais anos em final de carreira, e depois no 2º tempo…foi o verdadeiro Ronaldo.

Terça-feira veremos se as minhas dúvidas têm razão de ser, mas uma coisa tenho a certeza…ganhando à Islândia, acredito, apesar de tudo, que ganharemos a classificação, e mesmo esta época subiremos ao 1º lugar do grupo…com tranquilidade.

Bola7 falou…

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2 Responses to “O regresso do capitão!”


  1. 1 farawayslb
    11/10/2010 às 05:24

    Boa análise. Concordo com o que dizes de Martins, a breve trecho será a primeira vítima de Bento, caso este 4-3-3 não sofra uns retoques. Penso também que esta táctica é apenas uma táctica de transição – Paulo Bento chegou a selecção e teve pouco tempo para poder fazer vincar as suas ideias, e optou por jogar num sistema que a maioria dos jogadores estava já familiarizado com Queiróz, com a diferença de Pepe ter recuado para central e deixado de ser o “6”.

  2. 2 Preacher
    11/10/2010 às 09:57

    Eu quero acreditar que este sistema táctico é fruto das circunstâncias actuais.


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