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Um jogo estranhamente fácil de vencer.

Tudo muito simples. Entrada forte do Benfica, com o flanco esquerdo muito dinâmico, reforçado pela movimentação de Saviola, e a sensação que o Benfica estaria a desperdiçar demasiadas oportunidades para garantir o triunfo logo na 1ª parte. Nem mesmo após o magnifico golo de Saviola tal sensação esmoreceu.

Coentrão voava pela ala e desta vez contou com um melhor apoio de Gaitan que pasme-se, atirou-se ao chão alguma vezes não para se queixar da vida, mas para tentar alguns carrinhos, quiçá picado pela presença do seu novel compatriota no conforto do camarote do estádio leiriense, e também pela movimentação de Saviola por essas bandas.

Com a conquista do lugar de médio ala direito por Salvio, JJ implementou de vez um mais tradicional 4-1-3-2, mais próximo do clássico 4-4-2 do que do losango. E enquanto Carlos Martins beneficiou de uma certa liberdade, o jogo encarnado fluiu com segurança. É certo que contou com uma certa debilidade do Leiria. Sejamos honestos…se a saída de Di Maria e Ramirez fez mossa no Benfica, a saída de Carlão e de Silas principalmente, muito mais na equipa do Liz. Não tendo quem pensasse o jogo o Leiria limitou-se a fazer passar a bola por cima dos meios campos, de forma a cair atrás do centrais encarnados na vã esperança que os seus rápidos avançados aproveitassem o espaço nas suas costas para fazerem dano. Mas correu mal porque a ligação entre o trio central, Javi, Luisão, David Luiz com o guarda-redes Roberto foi imaculada.

Após o intervalo o Leiria rectificou a sua forma de jogar, marcando mais em cima o meio campo encarnado, e durante demasiado tempo a meu ver, assumiu o controle aparente do jogo, com muita bola mas sem fazer dano à defesa encarnada. O certo é que 1-0 é um resultado perigoso e o risco de um acidente é elevado. E aqui JJ interviu e muito bem. Percebendo que Martins já não tinha estofo para a tarefa, e que Gaitan não suportava de forma capaz Coentrão, lançou Amorim para a esquerda, colocando Gaitan ao centro. E aí finalmente o Benfica assumiu novamente o controle absoluto do jogo. Ala fechada, e Gaitan a dinamizar o ataque acordando o letárgico Cardozo que até então só se tinha mostrado pelas perdas de bola. E como a última imagem é que geralmente fica, os últimos minutos do jogo encarnado fizeram lembrar um pouco a época passada, culminado com 2 belos golos e outras jogadas de belo recorte estético.

O jogo de ontem deu algumas pistas para o futuro. Se é evidente que dificilmente o Benfica atingirá o nível exibicional da época passada, também é evidente que parece estabilizar num patamar suficiente para garantir uma 2ª parte da época de nível aceitável. Pese a “inocência” de Roberto em muitos lances, vide a suas saídas muito macias perante os adversários, a sua ligação com os centrais é bem melhor, pelo menos o jogo de ontem foi muito boa, sem saídas em extemporâneas nem tardias. Os centrais e o trinco Javi estiveram num patamar muito elevado, bem melhores que os laterais que tiveram uma certa dificuldade em controlar a sua zona de acção…pois, nenhum deles tem à sua frente o Javi Garcia…

O meio campo…o meio campo. Tem momentos de bastante fulgor e rapidez de processos, principalmente quando o seu armador de jogo, neste caso o Carlos Martins tem alguma liberdade. Mas quando o jogo fica um pouco fechado a conversa pia fino. Eu sei que muita gente não gosta do que vou dizer mas, apreciando muitas das qualidades de Martins, acho-o um pouco limitado para a função, principalmente na questão da visão periférica. Inúmeras vezes o jogo estava bloqueado pela presença de vários jogadores numa determinada zona do terreno e ele nunca foi capaz de tirar a bola de lá circulando-a para outro lado mais descongestionado, teimando sempre em colocar a bola em jogadores tapados e sem margem de manobra.

Aqui JJ esteve brilhante, e num dia em que vi um Mourinho dar lição de excelência em Madrid, ao vivo e a cores, a saída de Martins foi um golpe de mestre. E depois deu para cheirar um pouquinho da razão de muitos que afirmam firmemente que o miúdo Gaitan deveria jogar ao meio e não na ala. Veremos, pois uma coisa é iniciar o jogo naquela posição, outra é jogar lá perto do final do mesmo. O certo certo, é que a “coisa” até funcionou bem melhor. Coincidência?

Uma palavra para os atacantes. Que dizer de 2 jogadores que facturaram? À partida não muita coisa, mas Cardozo aborrece um pouco…os nossos adeptos…e os adversários. Não fez absolutamente nada durante a grande maioria do jogo e de repente espeta pontapé de 30 metros que não entra por pouco. É o mote para a sua entrada em “jogo”. Depois assistência e golo e mais uma ou outra participação de qualidade no jogo. Estranho este paraguaio. E que dizer de Saviola. Marca um golo extraordinário, mexe no jogo como poucos, mas tem sempre um mas…uma finta soberba e a baliza escancarada e a bola não entra. Um drible que a surtir efeito o levaria a isolar-se e no último instante a bola ressalta em algo. Tão perto da perfeição e no entanto parece que falta algo…sorte…talvez.

Isto de ver o jogo em diferido tem algumas vantagens, como a da observação mais atenta de certos movimentos da equipa que oportunamente falarei, quando fizer um post sobre a equipa e o plantel em especial.

Até lá…quarta há mais.

Bola7 falou…

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7 Responses to “Um jogo estranhamente fácil de vencer.”


  1. 1 ela
    10/01/2011 às 14:31

    Excelente analise a tua.

    Ai a falta de visao de jogo do Carlos Martins !!!!
    As vezes de bradar aos céus.

    Quanto ao “maior marcador da historia”, anda a dormir 3/4 da partida (quiças a aquecer) e “de repente” acorda.

    O pormenor que ficou-me na retina : o Fabio a ser derrubado e a fazer um xauzinho com a mao para o adversario. Recorda aquela vez em que o Aimar foi derrubado pelo Burro Alves e levantou-se com um sorriso.

    Ultima observaçao : desprezar o Nuno e meter o Menezes a jogar !!!! Palavras para quê.

    • 2 tabakaebola
      10/01/2011 às 14:59

      ai o nuno…só uma coisa…o lance do Coentrão não é penalty á luz dos “novos” regulamentos?

  2. 3 Ze
    10/01/2011 às 15:12

    Ai voces e o Nuno. E vai e volta e da-lhe com o Nuno. O Nuno vai tocar concertina com o Mantorras.

    • 4 tabakaebola
      10/01/2011 às 16:06

      tás perdido Zé…o lobby “Nuno fica” vai fazer de ti o Assange dos blogs encarnados…cuidado com as mulheres… 🙂

  3. 5 Ricardinho
    10/01/2011 às 16:00

    Não é o assunto da cronica, mas por acaso o boicote continua vivo? É que ontem, o estádio do Leiria só tinha 12’506 espectadores. O que corresponde a 54% da lotação do estádio…

    O Nuno Gomes dificilmente poderia entrar. Como na maioria dos jogos até agora, foi o jogador que acabou por ser excluído da ficha de jogo. Nada de anormal, já deve estar vacinado. Quando entra o Menezes não é desprezar nenhum outro jogador, pois o Menezes só entra em campo quando os jogos estão controlados. Se fosse mais a sério continuava no seu lugar no banco.

    • 6 tabakaebola
      10/01/2011 às 16:07

      tempos de crise…

  4. 7 ela
    10/01/2011 às 16:24

    tabakaebola falou !
    Tempos de crise !
    Até este blog esta rendido ao FMI !
    vide musica !!!


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